De longe ele viu, com seus olhos mais aquilinos que os de qualquer roc, a pequenina fada presa numa gaiola que pairava ao lado de um homenzinho ruivo, vestido de verde (com cartola e tudo) e um sorriso sádico no rosto. Muitas criaturas, uma mais horrenda que a outra, se encontravam ali na frente daquele pequeno palco. E o homenzinho ruivo começou a dizer em alto e bom som para que todos ouvissem: E o próximo item é esta pequenina e brilhante fada! Como todos sabemos, o que essas criaturinhas têm de pequenas elas têm de poderosas! Quase tão mágicas como eu... E como todos sabem, o simples fato de ter uma fada por perto aumenta o poder da sua magia considerávelmente, portanto, o lance inicial é de duas mil moedas de prata verdadeira.
Um goblin verruguento levantou a mão.
Logo após, um duende da floresta ergueu a mão e gritou com uma voz esganiçada: três mil!
O goblin ergueu novamente a mão e gritou: cinco mil!
E então uma criatura encapuzada ergueu-se e uma voz rouca soou de dentro da escuridão do capuz, dizendo: vinte mil...
Todos se viraram com olhos arregalados. A coisa encapuzada começou a se mover, como se pairasse.
Foi neste momento em que a flecha que a muito estava preparada foi encantada por palavras sussurradas em élfico, começou a brilhar e saiu voando em direção a multidão de criaturas infames, e ao longo da trajetória se inflamou e as chamas assumiram a forma de um dragão, e tão rápido quanto a flecha correu o elfo que a disparara.
À visão do dragão flamejante a multidão foi tomada pelo pânico e desperçou-se num piscar de olhos, e somente a figura encapuzada ficou. Ele virou-se para o dragão, estendeu uma mão ossuda para ele, que veio direto em sua direção, atingiu a mão estendida, o dragão rugia e tentava avançar sem sucesso, e a flecha ao resdor da qual existia continuava a girar e girar, entretanto, sem avançar um milímetro. Ele fechou a mão. O dragão consumiu-se até virar apenas centelhas, e a flecha caiu no chão diante dele. Despreocupadamente virou-se, mas seu prêmio não estava mais lá.
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